Nunca gostei de aplicativos de relacionamento, embora não tenha tido muita sorte fora deles... Sim, rola alguns flertes aqui, outro ali, mas, em vias de regra, tenho me arrumado em Tinder, Face Namoro, Denga Love etc... Porém, eu não sei se o tipo de conexão que sonho se encontra por ali, sabe? Aliás, acho que, depois da última tentativa, tenho certeza que não.
Eu tinha a teoria de que a maioria das pessoas que lá estão, isto é, em aplicativos de relacionamento, estão quebradas, doentes, tipo psicologicamente, e buscam alguém que as conserte ou um cuidador de luxo. Tipo o cara que vai segurar sua mão na crise de ansiedade ou tentar evitar que corte os pulsos por conta da depressão. Ou seja, uma verdadeira muleta humana, um estepe depois de os exmarido ou namorado tê-las deixado destruídas por dentro e vivendo à base de antidepressivos.
É isso aí, vivemos meio que uma epidemia de depressão e ansiedade que não dá pra entender. Vai por mim, nem especialistas e pessoas da área da saúde se salvam, aliás, são os mais loucos. É uma galera nova que se afunda em antidepressivos e uma mulherada que vem carregada de traumas absurdos, seja por passado de abuso no seio familiar ou por marcas e cicatrizes de um relacionamento tóxicos...
Bom, eu devo ter os meus traumas também, mas isso nunca atrapalhou minha vida. Sem contar que, muitas das vezes, não vêm sozinhas: vêm junto filhos problematicos, um ex psicopata, dívidas, família duvidosa, doenças etc...
Fato é que eu venho colecionando fracassos ao longo da vida, o que me leva a várias reflexões. Uma delas é se nasci mesmo pra essa porra, tipo ter alguém e pertencer a alguém. Já que a liberdade é algo que gosto, mas, por outro lado, amo a vida a dois, sabe? Cuidar e ser cuidado. Amo o rolê a dois, viajar, fazer coisas malucas, comer em locais exóticos e ter experiências. Acho que é o que fica, né? As experiências vividas. O resto são apenas histórias...
Acho que por isso tentei tanto salvar o meu casamento, mesmo quando nem acreditava mais na pessoa. E confesso que, se não estivesse num grau extremo de insuportabilidade, se a felicidade dos outros não estivesse em jogo e sem um incentivo da outra parte, estaria tentando até hoje...
Eu detesto essa vulnerabilidade. Me abrir pra alguém, deixar que conheça um lado que pouco conhece é tão perigoso. Sim, é ruim se abrir pra alguém, mostrar seu lado mais frágil e deixar nas mãos de outros o poder de te destruir emocional e, quem sabe, psicologicamente.
Sem contar que essa parte do processo de conhecimento é chata: se inserir dentro de outra família, conhecer pessoas e trazer alguém pra sua vida é pra lá de arriscado. Às vezes, um suicídio.
As pessoas são cruéis, as relações são frágeis e, como disse no começo, as pessoas são quebradas, doentes e à procura de alguém que as conserte.
No fim das contas, somos apenas uma muleta.
